Os Insetos da Horta

Escola Superior Agrária de Beja (Beja)

Desafio: "Os Insetos da Horta"

Registo Fotográfico:

Insetos Benéficos/Auxiliares:

Espécie 1:
Coccinella septempunctata - Joaninha
Também conhecida como joaninha de sete pontos, é uma
espécie originária da Europa.
Possui um comprimento de 1 a 10 mm dependendo da
espécie, o seu corpo é semiesférico, tem cabeça pequena, 6
patas muito curtas e asas membranosas muito
desenvolvidas, protegidas por uma carapaça quitinosa. Esta
carapaça geralmente apresenta cores vistosas e fortes como
vermelho e amarelo, de forma a avisar os seus predadores
que é tóxica e apresenta um sabor desagradável (Figura 1).
Algumas emitem um cheiro desagradável para os afastar.
As joaninhas podem ostentar manchas pretas nas suasasas, podendo variar de duas até dezasseis, ou mais asas. Quando este inseto auxiliar se reproduz pode colocar de 10 a 50 ovos amarelos de cada vez. As larvas quando nascem são pretas ou cinzentas e têm menos de 4mm de comprimento.
A sua alimentação é à base de afídios, insetos de escama e acarídeos. Eventualmente consomem néctar das plantas e água que vêm nos insetos como complemento à sua dieta.
Algumas joaninhas, embora poucas, são herbívoras comendo folhas de plantas.
A utilização das joaninhas no combate a certas pragas é um método natural a considerar pela sua simplicidade. A inexistência de efeitos secundários e prejudicais ao meio ambiente torna esta prática muito importante.
Existem várias formas de utilizar a joaninha como controlo biológico de pragas, sendo notório destacadas o:
➢ Controlo Manipulativo Biológico – consiste em utilizar a Controlo Manipulativo Biológico – consiste em utilizar a população de joaninhas já presente na zona afetada, criando condições mais favoráveis para estas proliferarem, por ex.a não utilização de químicos diminui as mortes destes insetos. Outra hipótese pode passar por deixar crescer as urtigas que normalmente acolhem afídios logo no início da primavera.
➢ Controlo Biológico Aumentativo – compreende a identificação da espécie de joaninha presente na zona afetada, introduzindo-se joaninhas vivas, compradas a um fornecedor. A adição dos insetos tem que ser em número inferior àquele necessário para combater a praga. Com esta operação pretende-se aumentar a sua população a um nível que permita um combate eficaz. Existe um risco inerente às
largadas das joaninhas, que é o facto de poderem voarem para outras zonas. Se permanecerem o tempo suficiente para colocarem ovos, nascerão as larvas, sendo que estas não podem voar até à idade adulta, consumirão então as pragas.

Espécie 2:
Anthocoris nemoralis, é um insecto auxiliar que pertence à ordem Hemiptera e à família Anthocoridae. A espécie é nativa da Europa e foi introduzida na América do Norte. Os Antocorídeos são capazes de utilizar uma variedade de árvores diferentes, com uma grande diversidade de presas, tanto as ninfas quanto os adultos são predadores, alimentam-se mergulhando a probóscide nas presas de insetos e sugando os fluidos corporais.
As presas são diferentes espécies de psylla, como a psylla da pera (Cacopsylla pyri), a cercis psylla (Cacopsylla pulchella ), a psylla do figo (Macrohomotoma gladiata ) e a psylla da oliveira (Euphyllura olivina). Na ausência de psylla, pode alimentar-se de outros insetos, como tripes, afídeos, ácaros, insetos juvenis, piolhos saltadores e ovos de uma grande variedade de insetos. Os adultos hibernam sob a casca, entre serapilheira, nas cascas do troncos ou em outros locais protegidos. Eles emergem na primavera para depositar os ovos nos tecidos vegetais da árvore hospedeira. Nas folhas, os ovos são inseridos sob a epiderme para que haja uma protuberância na superfície da folha.
Uma ninfa de A. nemoralis pode consumir 300-600 ovos de ácaros nos 20 dias que dura o seu desenvolvimento, ou pode consumir 120 afídeos apenas durante o período do seu desenvolvimento ninfal.
O Anthocoris nemoralis é um importante predador e tem um papel importante na limitação natural de várias pragas em diversas culturas tais como macieiras pereiras e olivais.

Espécie 3:
Existem diversas famílias de ácaros predadores, contudo, a família Phytoseidae destaca-se pela sua abundância nas culturas e pela sua eficácia como predadores preferenciais de ácaros fitófagos, como os ácaros tetraniquideos, o que leva a que estes ácaros sejam considerados de grande importância sob o ponto de vista agrícola.
Estes ácaros desenvolvem-se à custa de uma grande diversidade de alimentos: ácaros fitófagos, pequenos psocópteros, tripes e fungos.
Os ácaros predadores não são específicos de determinadas culturas, uma vez que não se alimentam das plantas, embora haja preferência pelas culturas arbóreas, arbustivas e gramíneas. A sua distribuição é feita fundamentalmente em função da existência de presas.
Em pomares, os ácaros predadores podem mesmo reduzir as populações do aranhiço amarelo e do aranhiço vermelho a um nível tão baixo que dispense a realização de tratamentos químicos contra esta praga.
Quando os ácaros fitoseídos não existem em quantidade suficiente no ecossistema, então devem-se introduzir, fazendo largadas destes ácaros. A sua eficácia levou a que se produzisse em massa e se comercializasse, sendo o P. persimilis, a espécie mais conhecida e utilizada em luta biológica.

Insetos Prejudiciais:

Espécie 1:
Insetos prejudiciais (Pragas):
Sitophilus zeamais - Gorgulho-do-milho
Esta espécie é considerada uma praga primária, ou seja, o inseto adulto quebra o revestimento duro dos grãos não danificados, pondo ovos no seu interior, do qual as larvas se vão alimentar.
Os adultos são gorgulhos de 2,0 a 3,5 mm de comprimento, de coloração castanho-escura, com 4
manchas avermelhadas nos élitros (asas anteriores), bem visíveis logo após a emergência. Têm a cabeça projetada à frente, na forma de rostro curvado (Figura 2).
É no interior do grão que a larva completa o seu desenvolvimento e passa ao estágio de pupa, culminando com a emergência do adulto. O período de incubação oscila entre 3 e 6 dias, sendo que o ciclo biológico do ovo até à emergência de adultos é de 34 dias.
O Sitophilus zeamais é uma praga de grãos muito destrutiva. Apresenta infestação cruzada, (capacidade de afetar os grãos tanto no campo quanto no armazenamento), possui um elevado potencial de multiplicação e tem muitos hospedeiros.
Os adultos alimentam-se de grãos partidos e do pó proveniente destes, mas as larvas desta espécie alimentamse exclusivamente do interior do grão, originando a redução do peso e da qualidade física e fisiológica do mesmo, podendo, potencialmente, causar uma destruição quase completa. Neste caso, os grãos ficam apenas com a “casca”, tendo no interior um pó constituído pelos excrementos das larvas.
Meios de luta:
Para o tratamento de infestação em grandes proporções a luta química é a que atua com maior eficácia. Pode-se optar por uma pulverização para a aplicação de um inseticida preventivo, de maneira a formar uma camada protetora, evitando novas infestações possíveis, bem como controlar
eventuais focos de infestações nas estruturas para armazenagem. Todas as medidas de luta química devem ser sempre implementadas de forma integrada, usando os produtos fitofarmacêuticos nas dosagens corretas.
Recentemente tem sido utilizada a terra de diatomáceas como medida auxiliar de proteção para pisos, paredes e, eventualmente, sobre o grão, pois trata-se de um produto inerte que não provoca toxicidade nos grãos.
Luta física - armazenamento hermético dos grãos, que evita a intrusão das pragas e causa a morte dos insetos que ficam no armazém por esgotamento de oxigénio; tratamentos com altas temperaturas; e tratamentos de refrigeração, originando a paragem no desenvolvimento da praga;
Luta biológica - podem utilizar-se inimigos naturais desta praga que asseguram o equilíbrio da população. No caso de parasitoides das larvas do gorgulho-do-milho podem ser utilizados o Anisapteromalus calandra e a Choetospila elegans.
Os métodos biológicos de combate permitem manter a quantidade da praga a um nível baixo no armazém, mas não conseguem uma exterminação dos mesmos.
Luta genética - pode recorrer-se a variedades mais resistentes a estas pragas, como o uso de culturas queapresentem as glumas (camisas do milho) bem desenvolvidas e que protejam o grão na integridade.

Espécie 2:
Lobesia botrana Denis & Schiffermüller 1775, ou mais vulgarmente conhecida por traça da uva é uma praga da vinha, com elevado poder de destruição, podendo causar um elevado prejuízo na vinha, tendo duas vertentes de destruição, pela lagarta da sua postura, mas depois na criação de condições ótimas para a instalação da podridão cinzenta.
Classificação científica:
Nome comum: Traça da uva
científico: Lobesia botrana Reino: Animália
Filo: Arthropoda
Classe: Lepidoptera
Familia: Tortricidae
Género: Lobesia
Sub-género: Lobesia
Espécie: L. botrana (Denis & Schiffermüller, 1775)
Morfologia:
Adulto:Borboleta castanha-acinzentada com 11-13 mm de comprimento e cerca de 6 mm de envergadura.
Ovo:
Tem uma forma lenticular, com menos de1mm translucido e amarelado
Lagarta:
Tem coloração de esverdeada até castanha-
acinzentada com cabeça castanha clara. O tamanho varia 1 mm após eclosão até 1 cm no seu máximo estado de desenvolvimento, passando por 5 estados larvares.
Pupa:
Difíceis de encontrar, podem localizar-se,
dependendo da geração no ritidoma ou nas fendas dos tutores, na dobra das folhas ou no interior dos cachos envolvidas num casulo branco. Medem cerca de 5mm de comprimento. Inicialmente são esverdeadas tornando-se gradualmente de cor castanha escura.
Biologia:
A traça da uva hiberna no estado de pupa nas cepas desenvolvendo de uma forma geral três gerações. Os primeiros adultos, surgem em meados de Março. A partir da segunda quinzena de Abril, é que os adultos encontram cachos (botões florais separados) na vinha para fazerem a postura, entretanto é provável que encontrem outros hospedeiros para realizar as posturas. Nos adultos, os seus voos são crepusculares, estando inativos durante o dia protegidos pela folhas da videira ou no interior dos cachos.
A primeira geração de lagartas ocorre em Maio e provoca estragos no período de pré-floração. A segunda geração ocorre entre o bago de ervilha/pintor, entre meados de Junho e meados de Julho e a terceira geração entre Agosto/Setembro, em pleno período de maturação, mas os adultos ainda estão ativos até ao inicio de Outubro.
Em climas e zonas favoráveis, pode ocorrer uma quarta geração, mas pode não completar o ciclo, damos-lhe o nome de geração suicida.
Estragos e prejuízos:
O desenvolvimento da traça da uva, está intrinsecamente ligado ás condições climatéricas da região e dos anos, não podemos também menosprezar a casta. A 1ª geração é a que apresenta menores estragos, tomando sempre em atenção o NEA (nível económico de ataque). No decorrer do mês de Maio, as lagartas apoderam-se dos botões florais, perfurando-os e criando glomérulos unindo as flores com um fio de seda, onde vão habitar no seu interior. A 2ª geração, já é mais destruidora do que a primeira, visto que há condições favoráveis ao desenvolvimento da lagarta no interior da copa da cepa, formando uma estufa ideal para o seu crescimento, tendo todo o alimento que necessita. Em Junho as posturas são feitas no estádio fenológico de bago de ervilha até ao fecho do cacho, em cachos mais resguardados.
Em condições de temperaturas elevadas e baixa humidade relativa, os bagos atacados podem secar sem causar mais danos na uva. Caso as condições meteorológicas sejam opostas às referidas anteriormente, pode ocorrer problemas mais graves como a instalação da podridão cinzenta.
Cachos atacados pela lagarta onde as condições climáticas foram favoráveis para a cicatrização do cacho (baixa humidade e temperatura elevada) sem a entrada da podridão cinzenta.
Em Agosto, na primeira quinzena, ocorre a postura da 3ª geração, a mais perigosa e a que mais estragos pode causar e que tem lugar nos cachos que se encontram em plena maturação. Além de perfurarem os cachos, as lagartas por onde vão passando vão mordendo tudo á sua volta causando ferimentos que são pontos de entrada da podridão cinzenta.
Estimativa de risco:
Comecemos pela colocação de armadilhas sexuais de forma a percebermos os ciclos de vida da traça, desta forma sabemos mais assertivamente o momento certo de intervenção.
A armadilha deve ser colocada ao nível dos cachos e numa parcela com historial de ataques da praga, mas temos de ter em atenção a altura de intervir, ou seja, se observarmos as armadilhas
temos de ter em atenção que a praga pode já estar avançada em relação á estimativa de risco que fazemos, dessa forma quando vamos realizar o tratamento pode já não ter o efeito esperado. A observação deve ser realizada a partir dos botões florais separados, procurando-se glomérulos formados pelas lagartas e registando o seu número em cada 100 cachos observados. Assim abaixo é apresentado o quadro para uma melhor precessão da estimativa de risco.
Meios de proteção:
Temos de ter em atenção as práticas culturais que utilizamos, bem como a luta que queremos fazer.
Podemos realizar tratamentos de polvilhação com enxofre, mas também podemos intervir a nível da poda e condução da videira de forma a proporcionar um bom arejamento ao cacho, podemos ainda intervir com uma desfolha se assim se justificar e a nível da vindima caso notemos que temos um ataque elevado.
Caso seja opção optar por uma luta química, temos de ter em atenção os seguintes pontos:
-Conhecer o modo de ação do pesticida;
-Conhecer a persistência de ação;
-Conhecer o intervalo de segurança;
-E conhecer a sua forma de aplicação.
Cada vez mais, estamos a encontrar formas de luta contra os inimigos das culturas para um maior respeito e preservação da natureza, por esta razão cada vez mais ouvimos falar em proteção integrada, luta biotécnica, luta biológica.
Na luta biológica, temos em atenção as aplicações das substâncias ativas em função do ciclo biológico da praga.
Temos também os meios de luta por confusão sexual, ou seja, consiste na aplicação de pequenos difusores que não são nada mais nada menos do que uma feromona criada em laboratório e que confundem os machos de forma a não encontrarem a fêmea para realizar o acasalamento.
Temos ainda como recurso em alternativa dos meios apresentados, os meios de combate com os inimigos naturais das culturas, ou seja, com a importância económica que a traça da uva apresenta para os viticultores, temos de conhecer o ecossistema da vinha de forma a conhecermos os predadores e os parasitoides da traça, este conhecimento permite-nos adotar medidas com vista a uma viticultura mais sustentável.

Memória descritiva:
Fazendo parte dos conteúdos programáticos das unidades curriculares de Proteção da Vinha, do Curso Técnico Superior e Profissional de Viticultura e Enologia, e da UC de Proteção das Culturas do CTeSP de Culturas Regadas, o estudo dos inimigos das culturas (pragas) e dos seus auxiliares (predadores e parasitoides) que contribuem muito para a limitação natural de algumas pragas, foi bem aceite pelos estudantes destes cursos o desafio lançado pelo programa Eco-escolas de participar na Actividade Insetos na Horta.
O trabalho de pesquisa bibliográfica foi realizado por cada aluno recorrendo à bibliografia recomendada na Unidade Curricular bem como a documentos técnicos disponíveis on-line. As ilustrações foram realizadas a partir de fotografias desses artrópodes. Alguns alunos utilizaram apenas o carvão, embora outras tenham utilizado lápis coloridos para que o artrópode se assemelha-se ao inseto real