Espiral de Ervas Aromáticas

Escola Básica e Secundária Dr. Hernâni Cidade (Redondo)

Desafio: "Espiral de Ervas Aromáticas"

Descrição das vantagens da construção de uma espiral:
Espiral de Ervas Aromáticas
Este jardim comestível, multi-nível, em que cada nível não se separa do anterior, não tem princípio nem fim, mas apenas transição.
Convivência entre diferentes
A estrutura retorcida e elevada da espiral, cria uma variedade de condições diferentes quanto a luz, temperatura e humidade, que permite num reduzido espaço proporcionar condições adequadas, para plantas com necessidades distintas. Permitindo ainda grande e variada produção de temperos frescos.
Cada um ocupa o seu lugar
Algumas destas plantas, como a hortelã, têm tendência a espalhar-se, dentro da espiral é mais fácil controlar e restringir o seu crescimento.
Eficiência hídrica
No Alentejo onde a água é escassa, o desenho da espiral é particularmente interessante, pois permite com um mínimo de água, agradar a todas as plantas, desde o topo da espiral, onde se colocam as espécies mais tolerantes à seca, até à base onde se encontram as plantas que vivem melhor em ambientes mais húmidos.
Harmonia natural
A espiral é a reprodução de uma forma muito frequente na natureza, (por exemplo, encontra-se nas conchas dos caracóis), possivelmente por isso, muito agradável ao olhar, transmite uma sensação de harmonia.
Solidariedade
A estrutura da espiral, no nosso caso em cepas secas de videira, fornece um espaço (hotel de insetos), para o desenvolvimento de insetos benéficos e anfíbios entre outros, evitando danos às plantas, criando uma rede solidária.

Breve descrição das plantas selecionadas e motivo do respetivo posicionamento na espiral:
Foram escolhidas 10 ervas, em assembleia de turma, tendo sido escolhidas de entre as mais utilizadas e conhecidas na nossa zona.
1 - Alecrim – Salvia rosmarinus
O alecrim é uma erva aromática, toda a planta, exala um aroma forte e agradável é comum na região do Mediterrâneo. Arbusto perene com altura média de 1,2 m muito ramificado, atraente, sempre verde, com hastes lenhosas, folhas pequenas e finas, opostas, lanceoladas.
Pode ser propagado a partir de uma planta já existente, através do corte de um ramo novo, retirando algumas folhas da base e plantando diretamente no solo, preferencialmente, na primavera ou no verão. É o que iremos fazer a partir de pés de alecrim já existentes no jardim da escola. Regadeve ser leve apenas quando o solo estiver seco, a mais de 2 cm de profundidade.
Utilizada com fins culinários, medicinais e religiosos, na forma de chá, óleo essencial também é utilizado em perfumaria, ou incenso.
Há quem plante alecrim perto de apiários, para influenciar o sabor do mel, pois as suas flores são muito apreciadas pelas abelhas.
2 – Orégãos - Origanum vulgare
A palavra orégão, em grego, significa “alegria das montanhas” , o orégano, orégão ou ourego é uma erva perene e aromática. São usados com fins culinários e são-lhes atribuídos características medicinais no combate a bactérias, a problemas gastrointestinais, contribuem para a diminuição da adição de sal nos cozinhados. Na nossa região é muito usada no tempero das azeitonas.
3 - Lavanda – Lavandula
Lavanda, alfazema, ou lavanda - francesa, pode encontrar-se na região que vai do sul da Europa, ao norte da África, da Arábia e das Ilhas Canárias. No Alentejo são fáceis de cultivar.
As lavandas são plantas do género Lavandula, da família Lamiaceae. São pequenos arbustos, perenes.
A lavanda e as suas flores, possuem um perfume inconfundível. Contém um dos óleos essenciais mais usados no mundo, base para uma infinidade de cremes, champôs, amaciadores e outros produtos de beleza e limpeza. Os romanos usavam a lavanda para lavar roupa, tomar banho e aromatizar ambientes e foram os primeiros a beneficiar das propriedades calmantes da flor, empregada até hoje para controlar insónia, stress e ansiedade, além de manter as traças afastadas das roupas guardadas, são vulgares os saquinhos de cheiro.
Os usos culinários da lavanda são pouco conhecidos. Mas, em pequenas quantidades, pode substituir o alecrim e as pétalas têm um gosto adocicado que aromatiza mel, vinhos, sorvetes, vinagres e biscoitos.
4 – Tomilho - Thymus vulgaris
O Tomilho conhecido há muito tempo é um membro da família da hortelã e um parente do orégão. Há uma grande variedade de tomilhos, cultivadas e encontradas na natureza, com sabores que lembram hortelã, cominho, limão, e variedades de gosto mais forte que lembram o orégão. Mas o tomilho comum, Thymus vulgaris é a variedade mais utilizada.
Esta erva aromática que, além do seu valor culinário, para dar sabor e aroma, também lhe são atribuídas propriedades medicinais, a partir do uso das suas folhas, flores e óleo, quanto ornamentais.
5 – Salsa - Petroselinum crispum
A salsa é uma planta, condimentar e medicinal, utilizada desde a antiguidade e difundida em todas as áreas de clima temperado e subtropical. A planta toda é muito aromática, com sabor pungente e ao mesmo tempo refrescante, acrescenta muito sabor e frescura a uma infinidade de pratos culinários. É uma planta bienal que, normalmente morre após o amadurecimento das sementes.
A salsa é uma planta medicinal pois é rica em antioxidantes, é um ingrediente rico em sais minerais e vitaminas, rincipalmente vitamina C, mas também vitaminas do complexo B e ainda A e E.
6 - Coentros - CoriandrumSativum
É uma planta anual, usada pelos antigos egípcios para embalsamar os corpos. Os gregos e os romanos já a incluíam na confeção de pratos e bebidas. Na Idade Média, era cultivada nos jardins dos mosteiros. É também conhecida por salsa árabe ou chinesa e é hoje cultivada um pouco por todo o mundo.
Atribuem-se-lhe uma série de benefícios para a saúde, entre eles, redução do risco de doenças cardiovasculares, degenerativas devido à ação antioxidante, controle da pressão arterial e para a visão.
Muito utilizado na gastronomia típica de várias regiões de Portugal, sobretudo no Alentejo, na famosa açorda e na sopa de cação. As sementes são muito redondas, de cor beige e muito apreciadas na culinária, pelo seu sabor aromático e distinto.
7 - Cebolinho - Alliumshoenoprasum, conhecido popularmente como cebolinha
É uma planta vivaz, que se desenvolve em tufos muito densos. Apresenta folhas verde-escuras, roliças, que atingem no máximo 10 cm de altura. Morre no inverno, mas volta a rebentar na primavera. O cebolinho gosta de ser bem regado e funciona como repelente de insetos.
Deve ser cortado com tesoura ou faca e nunca arrancado. Convém deixar sempre alguns rebentos, para assim preservar a força do bolbo.
As folhas frescas têm um agradável e suave sabor parecido com o da cebola, sendo especialmente utilizadas cruas em saladas, em pastas de queijo fresco e também em pratos de ovos e queijo.
8 – Mangericão - Ocimum basilicum
O manjericão é um arbusto que pode chegar a 45 cm de altura, com inúmeras folhas largas e muito aromáticas. É uma planta herbácea anual, da família das mentas e existem cerca de 150 variedades. Uma delas é o nosso manjerico dos Santos Populares, que enfeita, serve para cozinhar e para afastar as moscas.
Na Índia é uma planta sagrada, para os antigos gregos e romanos tinha poderes de reconciliação, no norte da Europa e no Haiti está associada ao amor.
O manjericão é uma planta medicinal e aromática muito utilizada para fazer remédios caseiros. É considerado um tónico geral do organismo e um desinfetante digestivo.
9 – Poejo – Mentha pulegium
Esta planta é muito aromática, de aroma intenso e penetrante, sendo frequentemente encontrado em locais húmidos, à beira de rios ou riachos.
Na gastronomia alentejana é muito utilizado em inúmeros pratos, nomeadamente no tempero de peixe de água doce, assado e no Redondo existe uma tradição de confeccionar, a sopa de feijão com bacalhau e poejo, na quarta-feira de Cinzas é também célebre o licor de poejo.
O Poejo é uma planta medicinal, muito utilizada como digestivo e no combate às gripes e resfriados.
10 – Hortelã - Mentha spicata
A Hortelã é usada desde o antigo Egito, com fins medicinais e para aromatizar bebidas e diversos pratos. As hortelãs ou mentas são plantas herbáceas vivazes, compreendendo numerosas espécies.
Uma das principais utilizações do chá de hortelã é para diminuir gases intestinais.
É uma planta perene, gosta de sol pleno ou parcial, humidade média alta e regular, solo com boa quantidade de matéria orgânica.
A ordem escolhida para o posicionamento, das 10 plantas na espiral teve em conta a necessidade de cada uma, relativamente à exposição ao sol e à necessidade de humidade. Assim, na parte superior da espiral colocaremos, alecrim, orégãos e lavanda, onde o ambiente é mais seco e exposto ao sol, uma vez que estas plantas dentro do conjunto escolhido e por esta ordem, são as mais exigentes em luz e calor e necessitam de solo mais seco.
Na zona intermédia da espiral, com o contorno das voltas, criam-se microclimas de luz, calor e humidade intermédias, aproveitando também o quadrante da espiral, aí cultivaremos as espécies que melhor se adaptam as estas condições, tomilho, salsa, coentros. O solo será também mais rico em matéria orgânica.
À medida que nos aproximamos do solo, o mesmo será cada vez mais rico em matéria orgânica e mais húmido, onde iremos plantar, cebolinho, manjericão, poejo e hortelã. Nesta zona, para manter uma maior humidade, iremos colocar 4 bilhas de barro, que permanecerão cheias de água, garantindo assim, uma maior humidade constante, o que atrairá também, alguns animais, como aves ou anfíbios.

Materiais de construção necessários e motivo da sua escolha:
A escolha dos materiais teve como principal intuito reutilizar. Os materiais escolhidos foram as cepas secas de videira, para a construção da estrutura da espiral. Temos facilidade de conseguir este material, devido à área técnica do nosso curso, vitivinícola, mas também porque na nossa zona são muito frequentes as vinhas. Por outro lado, pensamos ser interessante e original a reutilização desta madeira, que para além de ter uma aparência peculiar, permitirá abrigo a vários animais, o que será certamente vantajoso para as plantas da espiral e do restante jardim.
Reutilizaremos ainda algumas pedras de jardim, de que dispomos na escola, de um antigo projeto de jardinagem. As pedras serão colocadas decorativamente, mas também de forma a reforçarem o efeito microclima, mantendo a temperatura mais estável, contribuindo para diminuir a amplitude térmica diária, que é por vezes, muito elevada nesta zona do Alentejo.
O solo será colocado na espiral com vários tipos de mistura, a parte mais baixa será preenchida com um solo rico em matéria orgânica, para a zona intermédia a este solo, será misturada uma parte de areia, na parte do topo, mais cascalho e areia, para que a drenagem será mais eficiente.

Breve memória descritiva de como foi efectuado o trabalho:
A espiral de ervas aromáticas, será implantada no jardim da escola, fará parte de uma intervenção mais alargada nos espaços exteriores, onde pretendemos aumentar a biodiversidade, atrair mais animais, promover a saúde do jardim, utilizar o potencial deste espaço, na sua vertente educacional, no âmbito da cidadania e do ambiente. Projetamos, dentro de um ano, produzir o nosso próprio fertilizante e usar as ervas aromáticas na confecção das refeições do refeitório da escola.
Materiais:
-Cepas secas de videira;
-Pedras de jardim, reutilizar as que temos na escola;
-Misturas, para criar diferentes tipos de solo;
-Plantas, algumas replantadas a partir das existentes no jardim da escola e nos jardins ou hortas do município e/ou dos alunos, funcionários e professores.
-Bilhas de barro para colocar no solo junto à espiral com água.
Metodologia:
O projeto da espiral de ervas aromáticas, foi iniciado numa assembleia de turma, onde se decidiu que materiais usar, o critério de escolha das plantas, e quais os parceiros que poderiam colaborar, no sentido de conseguir os materiais, que se pretende que, na maioria, sejam reutilizados.
Foram tiradas fotos pelos alunos a algumas das plantas escolhidas e observadas as suas características de plantio e produção.
O município de Redondo é o nosso principal parceiro, na facilitação da obtenção e transporte das cepas secas de videira e de solo, bem como no apoio à construção da estrutura. As bilhas de barro serão feitas pelos alunos no Museu do Barro, com supervisão do artista plástico Luís Carlos.
Foi escolhido o local de implantação da espiral e feitas as medições com apoio dos funcionários do Agrupamento e do funcionário da empresa EVIMAN, que é membro do Conselho Eco-Escolas.
Para o trabalho que agora enviamos a concurso, a turma foi dividida em grupos que pesquisaram a informação para elaboração dos vários textos, tendo por fim sido feita uma uniformização dos mesmos.
A execução final da espiral terá lugar no próximo ano letivo, que tal como o que foi realizado até ao momento, contará com o envolvimento dos alunos da turma, do Curso Profissional de Técnico Vitivinícola, bem como de vários elementos da comunidade escolar e redondense.